Considero todos os meus livros verdadeiros guerreiros. Creio que tenho mania em mutila-los. Quando os compro é uma maravilha, todos limpinhos com as folhas bem juntas, com a capa lisa e aquele cheiro de novo que só um livro sabe ter.
Mas é passar uma semana que lá marcas nas páginas viradas que merecem ou devem ser lembradas, não leva mais que um dia para que as folhas comecem a se soltar e as marcas de uso comecem a aparecer.
Não, não leio rápido, degusto cada palavra como quem está aprendendo a comer, por isso os livros ficam tanto tempo comigo, tenho mania de querer lembrar os sabores, lembrar “as lembranças”, gosto de sentir coisas boas por mais de uma vez, acho fascinante o dom da boa memória para aquilo que nos faz bem. E é nas marcas dos meus livros que eu exército a minha boa memória ou, talvez minha facilidade de colar marcas pelas páginas que passo e depois encontrá-las…
As vezes essas marcas somem, correm para o meio do livro, se escondendo do cabeçalho e forçando a memória para que ela possa ser re-lida. Mas sempre acho, sempre consigo encontrar esses sopro de alegria, sempre re-leio as cartas que escrevo pra mim mesmo.
Não nego, as vezes as cartas são tristes, as vezes completamente felizes, gosto de todas, cada uma de uma forma especial, e assim é com meus sentimentos, gosto de todos, cada um de uma forma peculiar. As vezes desacredito que possa re-encontrar algum motivo pra senti-lo novamente. Mas aí me surge um novo marcador de página, me aparece um com um formato de um sorriso absurdo que nem mesmo sei medir o tamanho. E simplesmente me toma de assalto e me devolve de uma só vez o que outrora havia se perdido.
Hoje encontrei novamente o amor, que antes estava maltratado, jogado num canto. Hoje o vejo brilhar, sorrir, como quem tem um céu no sorriso. Hoje encontrei um amor embalado por sinos, e não são sinos imaginários. São reais, palpáveis, sinceros. E sempre que os quero ouvir, me perco nos beijos dela.
Então hoje, marquei com um sorriso uma nova página, e nela estava escrito:
“E que a música que hoje começou a tocar entre nós, durem para sempre”

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