As vezes eu só queria botar pra fora tudo que tá dentro de mim. Sai coração, sai pulmões, sei estomago. Sai tudo, não quero nada mais dentro de mim. Hoje consigo sentir a dor em cada um deles, cada um doi de um jeito peculiar. O coração é latente, parece até que eu já tinha essa dor antes mesmo de nascer. O pulmão doi toda vez que lembro que o ar existe. Tento respirar, mas ele não quer, tento puxar o ar pra dentro de mim, mas só vem fumaça preta. Me poluo a cada segundo respirando toda essa cor escura. E de tanto respirar acabamo ficando mais escuro também.
No meu estomago, as borboletas que lá moravam, hoje já nem sei o que viraram, se morreram, voltaram pro casulo ou simplesmente se acostumaram com o negro e viraram morcegos. Ando precisando treinar a arte do desapego, porque já ando me distraindo e me distanciando ao máximo que posso. Só falta agora aprender como me desprender do que me pesa

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